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sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Feliz Dia das Crianças!!!!

Toda Criança é uma Canção
Michael Jackson

Quando as crianças escutam música, elas não apenas a ouvem. Elas se dissolvem na melodia e seguem o ritmo. Algo dentro delas abre asas – logo, criança e música se fundem. Sinto o mesmo quando eu ouço música, e passei meus melhores momentos de criação com crianças. Quando estou com elas, a música é tão fácil quanto respirar.
Toda canção é uma criança que nutro, e a quem dou meu amor. Mas mesmo que nunca tenha composto uma, sua vida é uma canção. Como poderia ser diferente? Onda a onda, a natureza o acolhe – o ritmo, depois de cada nascer e pôr do sol, faz parte de nós; a chuva toca nossa alma, e vemo-nos com as nuvens, brincando de pique com o sol. Viver é ser musical, a começar pelo sangue que dança em nossas veias. Tudo o que vive possui um ritmo. Sentir cada ritmo, devagar e atentamente, faz com que ouçamos a música.
Consegue sentir a música?
As crianças, sim, mas depois crescem, a vida se torna pesada e um fardo, e a música, inaudível. Às vezes, o coração pesa tanto que nos afastamos dele, e esquecemos que suas batidas são a mensagem mais sábia da vida, um bilhete em branco, que diz: “Viva, seja, mexa-se, desfrute: você está vivo”. Sem o ritmo do coração, nós não existiríamos.
Quando me sinto cansado ou sobrecarregado, as crianças me animam. Busco nelas uma nova vida, uma nova música. Dois olhos castanhos me olham tão atentos, com tanta inocência, que murmuro para mim mesmo:
- Esta criança é uma canção.
É uma experiência tão impactante, que imediatamente percebo:
- Também sou uma canção.
E desperto para mim mesmo outra vez.



de A Dança dos Sonhos



sexta-feira, 13 de abril de 2012

A Dança dos Sonhos: ASSIM CAMINHAM OS ELEFANTES

Um fato curioso sobre os elefantes: para sobreviver, eles não podem cair. Todo animal pode tropeçar e se levantar novamente. Mas o elefante deve ficar de pé, até para dormir. Se um elefante da manada escorrega e cai, não poderá ser reerguido. Ele ficará no chão, refém de seu próprio peso. Embora os outros o observem consternados e tentem reerguê-lo, nada poderão fazer. Respirando devagar, o elefante caído acaba por falecer. 

Os outros ficam em torno dele por algum tempo, em vigília, depois, pouco a pouco, vão se afastando. Foi o que aprendi ao ler sobre a natureza, mas me pergunto se isso está certo. Haverá outra razão por que os elefantes não podem cair? Talvez tenham escolhido que seja assim. Não cair é a sua missão. Como o mais sábio e paciente dos animais, fizeram um pacto – imagino que há muitas e muitas eras, no final da Idade do Gelo. 

Movendo-se em grandes manadas sobre a Terra, os elefantes viram os homenzinhos escondidos na selva, com lanças de pedra lascada.

“Que ódio e medo sentem essas criatura”, pensaram os elefantes. “Mas eles herdarão a Terra. Somos sábios o suficiente para perceber isso. Vamos dar-lhe o nosso exemplo.”

Então, os elefantes refletiram: que exemplo poderiam dar aos homens? Poderiam demonstrar seu poder, o que seria autêntico. Poderiam demonstrar raiva, arrasando florestas inteiras, ou poderiam dominar o homem pelo medo, destruindo suas cabanas e plantações.  

Quando se sentem frustrados, os elefantes se enfurecem e podem fazer tudo isso, mas, por viver em grupo, pensaram e entenderam que seria mais útil ao homem aprender de forma gentil.

-Vamos mostrar a eles nosso respeito pela vida - disseram. 

E, a partir desse dia, os elefantes se tornaram silenciosos, pacientes e pacíficos. Aceitam ser montados e subjugados. Deixam que as crianças riam de seus truques no circo, longe das extensas planícies da África, onde reinavam como senhores. 
 
Mas a lição mais importante dos
elefantes está em se moverem, pois sabem que a vida é um constante movimento. A cada manhã, a cada era, as manadas caminham, grandes massas vivas que nunca tombam, uma força de paz incoercível.

Inocentes, nem desconfiam que mais tarde serão abatidos, aos milhares, com apenas um tiro. Cairão, mutilados, graças à nossa vergonhosa ganância. Os machos tombam primeiro, para terem seus dentes de marfim arrancados.

Depois, tombam as fêmeas, para levarem suas cabeças. Os filhotes correm e urram ao farejar o sangue das mães, mas não adianta fugirem das armas. Silenciosos, sem ninguém para olhar por eles, também morrerão, e seus ossos secarão ao sol.

Em meio a tanta morte, os elefantes poderiam simplesmente desistir. Bastaria cair no chão. Apenas isso. Eles não precisam de munição: a natureza lhes deu a dignidade de apenas se deitar e descansar em paz. Mas lembram da antiga promessa que nos fizeram, que permanece sagrada para eles.

Então, os elefantes continuam caminhando e, a cada passo, exclamam estas palavras aos quatro ventos: 

- Observe, aprenda, ame. Observe, aprenda, ame...

Conseguem ouvi-los? Um dia, envergonhados, os fantasmas de dez senhores das planícies dirão:

- Nós não os odiamos. Não percebem? Aceitamos a queda, para que vocês, tão pequenos e amados, não caiam também.

Michael Jackson
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