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quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Entrevista de Michael Jackson à Gold Magazine

Em Janeiro de 2002, Michael concedeu uma entrevista a repórter Madeleine Gold Girl da Revista Gold. Confira:


Michael Jackson é o Rei do Pop, é quem mais vendeu discos na história. Um homem cuja forma de dançar e cujas canções chegaram a todas as partes do mundo, de Joanesburgo a Jacarta, de Londres a Los Angeles. Mas é também um enigma.

Um garoto que se tornou uma estrela com os Jackson Five, que vem de uma família com imenso talento e, como filho mais novo, fez assim mesmo, com sua carreira solo, a mais bem sucedida de todos eles. É um dos poucos que foram mundialmente famosos tanto como crianças e também como adultos; e agora, está se reinventando de novo como estrela do cinema.

Apesar da sua fama, apesar do fato que esteja atuando, criando e improvisando desde que tinha idade suficiente para andar, Jackson é tímido ante a publicidade. Pode ter hordas de seguidores e fotógrafos ao seu redor quando quer dar um passo em público, mas é um homem extremamente reservado, que vive com sua família em seu rancho Neverland, na Califórnia.

Nessa rara entrevista, ele fala com Madeleine, a Gold Girl, sobre fama, o peso do estrelato na infância, sua visão da mídia e seu futuro no cinema.

Gold Girl: Você se vê mais como músico, artista ou intérprete?

Michael Jackson: Provavelmente tudo o que disse, porque eu gosto do mundo do entretenimento e sempre adorei entreter. Gosto de me converter em um escravo do ritmo, porque dançar é como interpretar os sons e compassos da orquestra. Você se converte no som, se converte no baixo, se converte no que escuta, e o faz. É o corporal.

Mas tento não ficar tão atrelado a isso e esquecer de pensar no futuro. Foram muitos os artistas que ficaram em seus passados e acabaram sozinhos, triste e acabados. Sempre digo para mim mesmo que nunca quero que isso se passe comigo e tentar lutar para aprender a lidar com o mundo, me apoiar, investir meu dinheiro, economizar. Quem sabe o que o amanhã trará? Temos que estar financeiramente protegidos para poder ajudar a si mesmo.

Gold Girl: Quer ser lembrado como um grande entertainment?

Michael: Gosto dos filmes e adoro a arte - e um arquiteto é um entertainment, o tipo que fabrica montanhas russas é um entertainment. Sabe onde construir as quedas, e que quando sobe, seja visto com antecedência...faz você dizer: 'Oh Meu Deus!' quando chega em cima justo antes de cair. É o mesmo que planejar um show ou uma coreografia. 

Gold Girl: Se converteu em um peso ao ser um dos astros mais reconhecidos do mundo?

Michael: Não há lugar no mundo onde posso ter alguma privacidade. O que mais dói é o fato que roubam a privacidade. É como viver em um aquário, mas é a verdade. Eu uso disfarces... mas as pessoas conhecem todos, é bem difícil.

Gold Girl: Que tipo de disfarces?

Michael: Batas, dentes postiços, óculos, perucas afro, próteses, maquiagem, de tudo. Tudo para me sentar entre as pessoas e experimentar um espetáculo da mesma forma que as pessoas experimentam. Quero me sentir como eles se sentem.

Gold Girl: E te descobrem?

Michael: Ás vezes, sim. De início não. Então começam a me olhar nos olhos. Ponho coisas, mas olham através dos óculos, as mulheres são muito hábeis. Você pode enganar um rapaz antes de uma moça. As mulheres podem me descobrir. Sabem a forma como meu corpo se movimenta, a forma de andar, a forma de gesticular. Eu as escuto dizer: 'Olha como ele move a mão' ou 'Olha sua maneira de andar' e penso: 'Oh não'.

Gold Girl: Se pudesse ser invisível durante um dia em Londres, o que você gostaria de fazer?

Michael: Oh! Poderia me beliscar? Deixa-me ver... acredito que encontraria alguns dos fotógrafos dos tabloides e lhes daria um chute no traseiro ao estilo moonwalk. Realmente gostaria de tirá-los dessas pequenas motos em que andam para me seguir. Se realmente pudesse, eu bateria neles com as câmeras para arrancá-las de suas mãos. Eles são muito inconvenientes. A primeira coisa que faria seria ir até eles, sim. Eles te deixam louco. Não consegue escapar deles. É terrível.

Gold Girl: Quem lhe inspirou mais profissionalmente, a quem poderia nomear?

Michael: Provavelmente Walt Disney; porque quando era pequeno cresci em um mundo adulto. Cresci no palco. Cresci em boates. Quando tinha sete ou oito anos estava em boates. Via mulheres tirando toda a roupa. Via mulheres peladas. Via homens brigando. Vi adultos se comportando como porcos.
Por isso agora odeio boates. Por isso tento compensar agora o que não fiz antes. Por isso quando chego na minha casa, vê que tenho um parque de diversões, um cinema, animais...Sou encantado com os animais - elefantes, girafas, leões, tigres e ursos, todas as espécies de serpentes. Consigo fazer todas essas coisas maravilhosas que não pude fazer quando era pequeno, porque não tinha todas essas coisas.

Não tivemos natal. Não tivemos festas de pijamas. Não tivemos escola, tínhamos um colégio privado quando estávamos em turnê. Não fui a um colégio público. Eu tentei durante duas semanas e não funcionou. Foi muito difícil. É difícil crescer sendo uma criança famosa. Muitos poucos chegam a fazer essa transição de criança famosa para um adulto famoso. É muito difícil.

Por exemplo Shirley Temple. Eu a conheci em São Francisco e me sentei na sua mesa e chorei muito. Ela disse: 'O que aconteceu Michael?' Eu lhe disse: 'Eu adoro você. Necessito passar mais tempo com você.' Seguiu dizendo: 'É um de nós, não é?' e disse: 'Sim, eu sou'. Alguém mais disse: 'O que quer dizer?' e ela respondeu: 'Michael sabe do que estou falando.' E sabia exatamente o que queria dizer - estar ali com uma estrela infantil e fazer com êxito a transição da fama como adultos é muito difícil. Quando é uma criança famosa, as pessoas querem que você nunca cresça.

Gold Girl: Conte-me mais sobre seu interesse nos parques temáticos - que têm de tão interessante para você?

Michael: Minhas coisas favoritas dos parques temáticos - e tenho um bom olho para eles porque viajei ao redor do mundo muitas vezes - é que adoro ver como as pessoas reúnem suas famílias e como se divertem. Realmente faz com que se unam. Eu vou pela diversão, mas também para estudar. Há muitos parques que tenho que ir quando estão fechados porque não posso ir nas horas normais. São como uma cidade fantasma.

Gold Girl: Você já escutou esse comentário de que você tem planos de fazer um parque temático em Las Vegas?

Michael: Já fiz muitos projetos em Las Vegas, e acredito que fiz foi ampliar a demografia de lá. Porque quando era um garoto - não tinha mais de oito anos - meus irmãos e eu queríamos ir a Las Vegas, e nessa época não permitiam as crianças de entrar nos cassinos. Assim só podíamos ficar nos quartos, aborrecidos, sem nada para fazer enquanto as pessoas faziam as suas apostas.

Só havia um lugar em Vegas para as crianças chamado Circus Circus. Era um hotel cujo tema eram os palhaços, assim tinham trapezistas e chimpanzés andando em monociclos. Quando fui ficando maior, atuamos muitas vezes em Vegas - atuamos ali muitas, muitas vezes - e eu dizia: 'Não é legal que não haja nada para crianças aqui'... assim comecei a conceber a ideias para alguns donos de hotéis. E agora é como o reino das férias temáticas dedicadas a família.

Gold Girl: Quais são suas personalidades favoritas?

Michael: Eu gosto das pessoas que ajudam por prazer e traz felicidade para o planeta e a humanidade, pessoas de luz - desde Walt Disney a Ghandi, de Edison a Martin Luther King. Eles são pessoas com luz, gente que realmente se preocupa com as crianças, por manter a unidade familiar e o amor.

Isso que trato de dizer na minha música e nas minhas canções. Se assistir a algum dos meus shows, meus espetáculos, verá 200.000 pessoas gritando, levantando cartazes, dizendo 'Queremos curar o mundo' ' Te Amamos'. Eu vi isso em todo o mundo, desde a Rússia até a Alemanha, da Polônia até a África, até a América. Todos somos iguais. As pessoas choram nas mesmas partes do show. Se enojam nas mesmas partes do show, fazem as mesmas coisas nas mesmas partes.

Gold Girl: Você foi amigo do Fred Astaire?

MJ: Sim. Fred Astaire era meu vizinho. Eu o via todas as vezes quando andava com minha scooter. Sempre me dizia quando era pequeno: 'Você vai ser uma grande estrela'. Me disse que pensava que eu era um grande artista e muito bom quando me movia. E sempre quando dizia: 'É o melhor' e eu respondia: 'Não, você é o melhor'.

Recordo a primeira vez que fiz o moonwalk. Fred me telefonou. Estava histérico no telefone. Me disse que era a melhor apresentação que tinha visto em sua vida. Lhe disse 'Oh, até parece'. Me disse 'Michael, é um demônio movendo-se. É um demônio de bailarino'. Lhe disse: 'Bem, vindo de você, não necessito mais de prêmios'. Porque fui indicado a um Emmy por aquela atuação, e não ganhei, mas não me importei porque Fred Astaire disse que ele tinha se encantado com a minha atuação, e esse é todo o prêmio que eu necessitava.

Gold Girl: Se pudesse trabalhar com alguém, vivo ou morto, com quem sería?

Michael: Se pudesse trabalhar com qualquer, seria com Charlie Chaplin, a quem adoro. Também com Laurence Oliver que foi um gênio, realmente. Com aqueles dois caras, acredito. Também com o rei, Marlon Brando.

Gold Girl: No ano passado contracenou em um vídeo, You Rock My World, com Marlon Brando. Como é trabalhar com o mestre?

Michael: Brando é um grande amigo. É muito parecido comigo. Não gosta muito de sair. Vem a Neverland ou fica na minha casa em Mulholland Drive, ou viaja ao Tahiti. Seu filho trabalhou para mim durante mais de 20 anos, e seu outro filho era meu colega de classe no meu colégio. Simplesmente é um gigante.
Vê como é inteligente porque quando trabalha comigo sempre diz: 'Sei que botão pressionar para encontrar a emoção em você'. Me conhece muito bem. Sabe como levantar minha moral, assim que diz certas coisas que realmente me animam. É um gênio. É um rei. É o último daquela geração. É um homem brilhante, uma pessoa encantadora. Eu desejo o bem a ele é um ótimo amigo.

Gold Girl: Você teve uma participação em Men In Black II, foi por trabalho ou diversão?

Michael: O projeto de Men In Black foi realmente muito divertido porque atuei como eu mesmo, como um garoto novo.

Gold Girl: É óbvio que desde o vídeo de Thriller tem um grande interesse nas artes visuais.

Michael: Em tudo que faço, gosto de me dirigir, ou trabalhar bem próximo do diretor - co-dirigimos e vamos apontando as ideias juntos. Se vê Ghosts, aparece co-escrito por Michael Jackson e Stephen King. O escrevemos pelo telefone, Stephen e eu - é impressionante. Escrevemos pelo telefone, falando um com outro.

Fonte de Pesquisa: Cartas Para Michael


sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Feliz Dia das Crianças!!!!

Toda Criança é uma Canção
Michael Jackson

Quando as crianças escutam música, elas não apenas a ouvem. Elas se dissolvem na melodia e seguem o ritmo. Algo dentro delas abre asas – logo, criança e música se fundem. Sinto o mesmo quando eu ouço música, e passei meus melhores momentos de criação com crianças. Quando estou com elas, a música é tão fácil quanto respirar.
Toda canção é uma criança que nutro, e a quem dou meu amor. Mas mesmo que nunca tenha composto uma, sua vida é uma canção. Como poderia ser diferente? Onda a onda, a natureza o acolhe – o ritmo, depois de cada nascer e pôr do sol, faz parte de nós; a chuva toca nossa alma, e vemo-nos com as nuvens, brincando de pique com o sol. Viver é ser musical, a começar pelo sangue que dança em nossas veias. Tudo o que vive possui um ritmo. Sentir cada ritmo, devagar e atentamente, faz com que ouçamos a música.
Consegue sentir a música?
As crianças, sim, mas depois crescem, a vida se torna pesada e um fardo, e a música, inaudível. Às vezes, o coração pesa tanto que nos afastamos dele, e esquecemos que suas batidas são a mensagem mais sábia da vida, um bilhete em branco, que diz: “Viva, seja, mexa-se, desfrute: você está vivo”. Sem o ritmo do coração, nós não existiríamos.
Quando me sinto cansado ou sobrecarregado, as crianças me animam. Busco nelas uma nova vida, uma nova música. Dois olhos castanhos me olham tão atentos, com tanta inocência, que murmuro para mim mesmo:
- Esta criança é uma canção.
É uma experiência tão impactante, que imediatamente percebo:
- Também sou uma canção.
E desperto para mim mesmo outra vez.



de A Dança dos Sonhos



Joias e pérolas: o estilo de Michael Jackson


Reuters
Michael Jackson foi um artista único, que supervisionava todos os detalhes de seus shows, da coreografia ao strass e pérolas cuidadosamente costuradas à mão em suas roupas, disse seu antigo figurinista.
Tanto quanto a música e a dança caracterizaram a superestrela do pop, Michael também ficou conhecido por seu estilo, de roupas militares a luvas incrustadas de joias, chapéus e jaquetas cuidadosamente elaboradas.
Em um novo livro, "O Rei do Estilo: Vestindo Michael Jackson", em tradução livre, Michael Bush, o homem que desenhou e costurou os figurinos que Michael usou no palco por 25 anos até a morte do pop star em 2009, apresenta uma visão dos bastidores do astro icônico e do desenvolvimento do estilo que se tornou sua marca registrada.
"As roupas tinham que trabalhar em torno do modo como ele estava se apresentando", disse Bush à Reuters em uma entrevista por telefone. "Era uma camada adicional de refinamento e detalhe que ele projetava para sua audiência."
Tudo que Michael vestia tinha um foco e era uma extensão do que ele fazia no palco, com a dança tendo um papel fundamental no design das roupas. Ele preferia strass e miçangas porque elas refletiam com a luz do palco.
Funcionalidade e conforto eram essencial, com gravatas e franjas proibidas porque poderiam ser agarradas por fãs.
"Tudo era muito bem pensado", disse Bush, acrescentando que na medida que os estádios ficavam maiores, as calças de Michael ficavam cada vez menores, para que suas meias de strass pudessem ser vistas.


segunda-feira, 3 de setembro de 2012

No Festival de Veneza Spike Lee diz que tem o documentário BAD25 como uma "carta de amor a Michael Jackson"

O cineasta americano Spike Lee apresentou na última sexta-feira (31), na 69ª edição do Festival Internacional de Cinema de Veneza, o documentário Bad 25, uma verdadeira "carta de amor" do diretor a Michael Jackson por conta do 25º aniversário de lançamento do álbum Bad.



O documentário, que é exibido em uma mostra não competitiva, resgata clipes e uma série de imagens de shows do Rei do Pop, todos relacionados com os principais sucessos desse disco, como BadThe Way You Make Me FeelI Just Can't Stop Loving YouDirty DianaSmooth Criminal e Man In The Mirror.

"O que Michael Jackson significa para mim está escrito aqui, está incorporado neste documentário. Isto é uma carta de amor a Michael Jackson. Cresci com ele. Na época em que ele fazia parte do Jackson Five, eu queria ser como Michael Jackson. Tinha o cabelo afro, mas não podia cantar e dançar como ele", afirmou o cineasta durante a apresentação documentário em Veneza.

"Além disso, o documentário me deu a chance de poder trabalhar com as pessoas que sempre acompanhei. Para mim, foi uma confirmação de quão duro Michael Jackson trabalhava. São professores em seus terrenos", acrescentou o cineasta.

Com entrevistas da época e outras recentes, Spike Lee, que participa pela nona vez do Festival de Veneza, dá voz a todos aqueles que colaboraram com Michael em Bad, desde o produtor Quincy Jones até Martin Scorsese e Wesley Snipes, diretor e ator, respectivamente, do clipe da faixa homônima.

Os cantores Mariah CareyChris BrownKanye West e, inclusive, o jovem Justin Bieber são outras celebridades da música que participam desta homenagem ao Rei do Pop.
"Um dos motivos pelos quais eu queria fazer esse documentário era que, quando a gravadora Sony me ofereceu este projeto, eles queriam que me concentrasse somente na música. Durante muitos anos - eu me incluo - nos concentramos só na música e não em Michael Jackson. Agora, temos que reconhecer o gênio que era", comentou Spike Lee.

"Não vimos o sangue, o suor que estava por trás. Esta era uma oportunidade de poder descobri-lo, falando com músicos e falando com gravadores. É preciso lembrar que Bad sucedia Thriller, que até hoje é o álbum mais vendido da história. Imaginei a pressão de Michael por repetir este êxito", acrescentou.

Segundo o cineasta americano, o Rei do Pop não se sentava simplesmente e começava a criar, mas estudava os grandes artistas de outras de áreas, como a fotografia e a dança, e o que aprendia com eles incorporava em seu trabalho.

"Michael tinha um talento musical nato. Frequentemente, ele criava canções somente em uma gravadora. Tocava muito bem piano e tinha habilidade para criar todos os aspectos de uma canção, embora não sabia tocar todos os instrumentos", apontou.

Através das inúmeras lembranças que surgiram durante as gravações dos clipes e das músicas de Bad, Spike Lee constrói um discurso narrativo baseado na peculiaridade e originalidade de Jackson. Neste aspecto, a canção Man in The Mirror, que finaliza o documentário, aparece como a trilha sonora de sua morte, ocorrida em 2009.

"Man in The Mirror se transformou em um hino para ele, como quando assassinaram a John Lennon, que as pessoas cantavam 'Imagine'. Quando Michael Jackson morreu, o povo cantavava 'Man in The Mirror' ", disse o cineasta, que ressaltou que até os filhos do cantor estão querendo ver este documentário para aprender mais sobre o pai.

Além da apresentação de Bad 25, Spike Lee também receberá o prêmio Jaeger-Le Coultre - Glória ao Cineasta por ser, segundo a organização do Festival de Veneza, um "espírito criativo e combativo, autor de filmes audazes e mordazes, com frequência imprevisíveis e provocativas no melhor sentido da palavra".

Vírgula

domingo, 13 de maio de 2012

Glória Maria fala sobre seus momentos com Michael Jackson em 1996

Embora muitos não saibam, a apresentadora Glória Maria foi fã de Michael Jackson. Mas não só por sua música, dança, ou sucesso. Ela foi fã da grande pessoa que ele sempre foi. 

Após a morte, ela desabafou sobre seu encontro com Michael, quando ele veio gravar o clipe 'They Don't Care About Us' aqui no Brasil

É um emocionante depoimento, vale muita a pena ler:

"Comigo, as coisas não são normais. Eu não entrevistei o Michael Jackson, foi ele que me entrevistou. Eu o acompanhei quando gravou na Bahia e fiquei negociando para ver se ele falava comigo. Estávamos no Pelourinho e o Michael viu o carinho do povo comigo, então, disse que conversaríamos no Rio. Quando chegamos, subi a favela e a gente ficou conversando uns 20 minutos. Ele me perguntou como tinha sido o meu início. Contei que vim de uma família pobre, mas que tinha conseguido estudar. Ele queria saber se não havia discriminação e racismo no Brasil. Respondi que sim e ele ficou muito interessado em saber mais. No pouco tempo que fiquei com ele, tive um vislumbre do ser humano bacana que era. 

Vi o seu braço e pedi para passar a mão. Ele tinha uma pele muito fina e dava para ver que o corpo era todo tomado pela doença, o vitiligo. Como tinha pouquíssimas partes mais escuras, realmente seria mais fácil clarear o pouco que restava de escuro. Aí, notei um buraco no nariz dele e vi que ele ficava sempre com uma gaze tampando. Perguntei o que era aquilo e ele disse que foi consequência da segunda cirurgia que fez, porque tinha um desvio de septo e que, por causa disso, ficou com uma infecção crônica no nariz. Naqueles poucos minutos, alguns dos tabus que todo mundo tinha, para mim, acabaram. Fiquei triste comigo mesma por ter entrado nessa história que todos comentavam sobre o seu embranquecimento, por ser uma coisa alheia à vontade dele. 

Quando Michael terminou a gravação, fiz a passagem e ele ficou quietinho, humilde e com cara de bobo, esperando eu falar, mas sem entender nada do que eu dizia. E fez a declaração, dizendo 'Eu amo o Brasil'. Foram várias surpresas em um encontro curto. Vi que era uma pessoa frágil, simples, sem frescura. No final, ele me puxou, me abraçou e me beijou. Aquele mito de que ele dormia numa bolha caiu. Eu estava imunda, cheirando mal, e ele me abraçou sem nojo, sem restrição. 

O que me impressionou muito foi o olhar dele, de tristeza, o tempo todo. Só vi o olho dele brilhar, parecendo criança, quando estava com o Olodum. Michael pulava, corria de um lado para o outro, no Pelourinho. O Spike Lee, que era o diretor do clipe, nem o dirigiu, só captou a espontaneidade dele. 

Fui pega de surpresa com a notícia da morte do Michael. Tive uma sensação de tristeza profunda. Ele foi um ser humano que não conseguiu ser feliz, não conseguiu ter serenidade na vida, apesar de ser um ídolo mundial. Todo mundo sabe que a vida dele, desde que nasceu, foi puro sofrimento. Esqueceram a pessoa que estava ali e, pelo menos para mim, ele demonstrou ser muito generoso.

Para mim, ele não foi um ídolo, pois só gostava da música dele na época dos Jackson 5, mas, como ser humano, sempre me intrigou. Eu tenho identificação de alma com ele. Somos duas pessoas que, cada uma à sua maneira, conseguiram vencer."



Créditos: Kenny LopesGrupo MJJSOLDIERS

sexta-feira, 2 de março de 2012

Musical sobre Michael Jackson estreia no Brasil, antes de ir para Nova York

Companhia inglesa já escolheu 16 dançarinos brasileiros para o espetáculo "Thriller Live"



Em breve, nós fãs de Michael Jackson vamos poder matar a saudade, em musical em homenagem ao Rei do Pop, com músicos e dançarinos brasileiros.
O musical vai estrear aqui, antes da Broadway, em Nova York. Serão duas horas e meia de homenagem a uma estrela que brilhou como poucas no universo da música pop.
Não espere ver uma representação do astro do show. Impossível imitar Michael Jackson. O musical “Thriller” é uma homenagem à obra de Michael Jackson.
Criado em Londres, em cartaz desde 2007, rodou 23 países da Europa, Ásia e Oriente Médio. E chega ao Brasil no segundo semestre de 2012.
A notícia de que o musical teria companhia própria no Brasil mexeu com o mercado artístico. A produção recebeu 2,8 mil inscrições de bailarinos, cantores e músicos pela internet. Destes, 700 já foram pré-selecionados e testados em uma audição diante dos diretores da companhia inglesa.
Nos dias em que esteve em São Paulo para a escolha do elenco, o diretor artístico postou suas impressões na rede social: “Uma experiência incrível, aqui em São Paulo. Dançarinos fenomenais e pessoas lindas”.
Foram três dias inteiros de passos coreografados, até que os 16 bailarinos fossem reunidos.
“A gente tem uma diferença tão grande em relação ao mundo. É uma garra diferente, é um suingue diferente. Eu acho que vai ter muita diferença do espetáculo de Londres para cá. Porque a gente vive mais. Parece que está no olho a nossa vontade de estar dançando”, afirma a dançarina Fabiana Figueiredo.
Talentos como de Gustavo Della Serra, com 18 anos, que começou a dançar na rua e nunca antes tinha participado de uma audição. “Eu já fiquei muito emocionado por estar passando. Eu falei: ‘nossa! eu tenho potencial’. Eu consegui provar para mim mesmo que eu podia passar em uma audição. Podia estar assim, em um nível mais alto, em termos de dança”, comemora Gustavo.
Os ensaios devem começar no segundo semestre. Até lá, mais seis músicos e quatro cantores terão sido escolhidos. Além de um garoto, que no palco vai lembrar os primeiros passos de Michael.
A previsão é de que o espetáculo seja apresentado em julho no Rio de Janeiro, e em agosto, em São Paulo.
“Isso mostra o amadurecimento desse mercado no Brasil. O Brasil é um país que cresce muito, é um país que, cada vez mais, o povo tem poder aquisitivo. Obviamente, o interesse desses grandes produtores se volta para o Brasil”, explica o diretor de produção Edson Cabrera Jr.

Fonte: G1
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